Conferência Santa-Marta: Esperança para a Saída dos Combustíveis Fósseis - e para os Oceanos?

20.04.2026 | da OceanCare

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OceanCare


20.04.2026, 16 anos após o desastre do Deepwater Horizon a 20 de abril de 2010, os EUA impulsionam novamente a exploração de energias fósseis no Golfo do México – com potenciais consequências graves para a fauna marinha, como a ameaçada Baleia Rice-Bryde.


Primeira conferência com foco na implementação: Representantes de cerca de 80 países reúnem-se em Santa Marta, Colômbia, para avanços concretos na saída das energias fósseis.

Do compromisso à ação: Uma "Coalizão dos Voluntários" quer agir frente à crescente crise climática, sem esperar por um consenso global.

16 anos após o desastre do Deepwater Horizon: A expansão das atividades fósseis nos mares aumenta os riscos para os ecossistemas marinhos e sua fauna, como a ameaçada Baleia Rice-Bryde no Golfo do México.

Ponto crítico do clima no Mediterrâneo: Enquanto as atividades fósseis continuam, os ecossistemas marinhos na região do Mediterrâneo já estão sob forte pressão.

16 anos após o desastre do Deepwater Horizon a 20 de abril de 2010, os EUA promovem novamente a exploração de energias fósseis no Golfo do México - com potenciais consequências gravíssimas para a fauna marinha, como a ameaçada Baleia Rice-Bryde.

Ao mesmo tempo, na Colômbia, surge uma leve esperança: nos dias 28 e 29 de abril, representantes de cerca de 80 estados reúnem-se em Santa Marta para avançar passos concretos na saída das energias fósseis no âmbito de uma "Coalizão dos Voluntários".

No entanto, enquanto a conferência pode marcar um ponto de virada, já existe a necessidade de ação concreta em pontos críticos climáticos, como o Mediterrâneo.

A reunião em Santa Marta representa uma nova abordagem na política climática internacional: em vez de novas negociações, o foco está na implementação de compromissos existentes. Por trás disso, está o crescente reconhecimento de que não há falta de acordos políticos, mas sim da sua implementação consistente.

Na visão da OceanCare, este momento também deixa claro: a proteção do clima e dos oceanos são inseparáveis — e ambos exigem agora a implementação consistente de uma saída das energias fósseis.

Por que os oceanos estão sob pressão? Atividades offshore relacionadas com energias fósseis impulsionam tanto as mudanças climáticas quanto os danos diretos aos ecossistemas marinhos. Ao mesmo tempo, são uma fonte essencial de ruído subaquático.

Em pesquisas sísmicas para a procura de novos depósitos de petróleo e gás, dezenas de canhões acústicos são usados simultaneamente - eles geram o som mais alto provocado pela humanidade no oceano. Os impulsos sonoros atingem até 260 decibéis e são emitidos através da coluna d'água em direção ao leito marinho a cada dez a 15 segundos por semanas ou meses.

Para baleias e golfinhos, que dependem do som para comunicação, orientação e busca de alimento, isso tem consequências graves: distúrbios comportamentais, deslocamento de habitats e estresse prolongado.

O tempo está se esgotando para o Mediterrâneo Para a OceanCare, a urgência é particularmente evidente no Mediterrâneo – uma região que está aquecendo mais rapidamente do que muitas outras áreas marítimas do mundo.

Mesmo assim, a procura e extracção de petróleo e gás continuam em algumas partes da região - às vezes até em ou próximo a áreas de proteção marinha. Isso aumenta a pressão sobre espécies já ameaçadas, como baleias e golfinhos. O ruído subaquático impulsivo afeta não apenas os mamíferos marinhos, mas quase todos os seres marinhos, incluindo peixes e invertebrados.

No entanto, alguns países mostram que existe um outro caminho possível: Portugal, França e Espanha pararam completamente ou em parte as novas autorizações para exploração de petróleo e gás em suas águas. Eles provam que ações regionais são possíveis e eficazes.

A OceanCare, portanto, pede:

- O fim de novas atividades fósseis offshore: Nenhuma nova licença para a prospecção de petróleo e gás e um roteiro claro para o fim da exploração existente.

- Proibição de pesquisas sísmicas para a prospecção de petróleo e gás, já que são uma das fontes mais intensas de ruído subaquático.

- Impedir a poluição por plástico na origem: Regras obrigatórias para limitar e reduzir gradualmente a produção de novos plásticos a quantidades sustentáveis.

- Fortalecimento das medidas regionais: Os acordos existentes devem ser implementados de forma consistente, particularmente em regiões sensíveis como o Mediterrâneo.

Nicolas Entrup, Chefe de Cooperação Internacional na OceanCare, afirma:

"Os oceanos pagam o preço por nossa dependência contínua de energias fósseis – através das mudanças climáticas, do ruído subaquático e do risco de desastres petrolíferos devastadores. Já sabemos o que precisa ser feito. Não faltam conhecimento ou evidências científicas, mas sim vontade política. A conferência em Santa Marta deve dar o impulso necessário para promover a saída das energias fósseis, acelerar a transição energética e finalmente tornar a proteção dos oceanos uma prioridade.

Desde a exploração de fósseis até a poluição por plásticos: as atividades humanas estão levando sistemas ecológicos marinhos aos seus limites. Quem quer proteger os oceanos deve finalmente abordar essas causas na raiz – em vez de apenas gerir suas consequências."

Carlos Bravo Villa, Especialista em Políticas de Oceanos na OceanCare, comenta:

"Há décadas que está claro que precisamos abandonar as energias fósseis - e, no entanto, continua-se a procurar novos depósitos. Esta contradição não é mais sustentável. Não podemos fingir proteger os oceanos enquanto procuramos petróleo e gás no fundo do mar ao mesmo tempo.

O que precisamos agora são passos concretos: nenhuma nova exploração offshore para petróleo e gás, um cronograma claro para a saída da exploração existente e planos de implementação regionais fortes. O Mediterrâneo não pode esperar por um consenso global. Em uma das regiões marítimas que mais rapidamente se aquece no mundo, pesquisas sísmicas e atividades fósseis estão colocando baleias e outros seres marinhos sob pressão massiva - mesmo em áreas protegidas.

A conferência em Santa Marta pode enviar um importante sinal global: mas já precisamos agir em nível regional.

Contacto de imprensa
Anton Mattmüller, Porta-voz da OceanCare
amattmueller@oceancare.org, +43 681 10619366

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OceanCare é uma organização não governamental internacional para a proteção dos oceanos, fundada em 1989, na Suíça.

A organização dedica-se à proteção e restauração do ambiente marinho e da vida marinha, combinando investigação, projetos de proteção e educação. OceanCare foca-se em questões como a poluição dos oceanos, mudanças climáticas, caça a mamíferos marinhos e os impactos ambientais da pesca.

O trabalho da OceanCare é apoiado por uma equipe de especialistas científicos, jurídicos e políticos e envolve uma colaboração estratégica com organizações da sociedade civil e coalizões ao redor do mundo.

A OceanCare é um parceiro oficialmente acreditado e observador em várias convenções da ONU e outros fóruns internacionais.

Nota: O texto “Sobre nós” provém de fontes públicas ou do perfil da empresa em HELP.ch.

Fonte: OceanCare, Comunicado de imprensa

Artigo original publicado em: Santa-Marta-Konferenz: Hoffnung auf den Fossilausstieg - und für die Ozeane?